
Foto: Simões. Acrílica s/ papel, 1992.
Se um homem tivesse encontrado a
razão que levava Dom Quixote a fazer isto ou aquilo, conheceria o
sofrimento provocado pelo vazio, porque perderia sentido lutar pelo
eterno e pelo infinito. A delirante alegoria da obra de Cervantes
encaixou a fantasia transgressora que reside na mente humana nos
irresistíveis apelos da insanidade, do sonho e da realidade. De fato,
há uma razão na falta de razão!
Assim pensando, dá pra concluir que viver é a prática da falta de razão: dizem até que alguém “se faz louco para bem viver”… e, se assim não fosse, como, então, seria possível passar pelo cotidiano sem ver lesada a esperança? Como romper a densa camada onde estão enclausurados os pensamentos racionais se a ninguém importa nada de nada que não seja o seu próprio interesse? Seria a razão, portanto, o interesse? Há espanto, hoje, diante de qualquer ato de generosidade. E todos os que se dizem não insanos vivem a perguntar, diante desse ato: qual é a razão da pessoa tê-lo feito? A solidariedade perdeu a razão!
Assim pensando, dá pra concluir que viver é a prática da falta de razão: dizem até que alguém “se faz louco para bem viver”… e, se assim não fosse, como, então, seria possível passar pelo cotidiano sem ver lesada a esperança? Como romper a densa camada onde estão enclausurados os pensamentos racionais se a ninguém importa nada de nada que não seja o seu próprio interesse? Seria a razão, portanto, o interesse? Há espanto, hoje, diante de qualquer ato de generosidade. E todos os que se dizem não insanos vivem a perguntar, diante desse ato: qual é a razão da pessoa tê-lo feito? A solidariedade perdeu a razão!
Se, ainda, acaso
tentasse argumentar contra os argumentos dos hermeticamente sensatos,
estaria perdido. Não encontraria palavras que os convencesse sobre o
essencial, que não é visível aos olhos: eles deixam de ver a beleza,
não percebem cores nem sabores, não escutam a melodia da chuva ao
findar o dia… Estão fechados em seus sepulcros e já não querem mais
saber de nada. No entanto, no mesmo lugar onde se localiza o sepulcro,
reside também o berço, que permitirá o percorrer de um novo caminho.
Quem quiser se
aventurar e seguir por este novo caminho perceberá o grito que ainda
ecoa na alma, a chama que ilumina as paredes frias, o sabor que está
contido na apreciação do belo. Sem dúvidas, a escolha significaria
seguir pelo caminho Quixotesco do enfrentamento da sua loucura e das
diversas faces dos moinhos.
É neste caminho que estamos hoje
– porque setembro chegou – quando prontos para assistir a intervenção
de Drika Chagas, na hora, e diante dos desenhos de Simões e PP
Condurú, dois talentosos paraenses que bem representam tudo o que se
deseja mostrar na exposição “Insano De Mim”. Os desenhos que compõe a
mostra pertencem ao acervo da ELF GALERIA, que se propõe levar a quem
desejar ser como Quixote, a reelaborar a sua insanidade por meio da
arte, buscando na poesia escrita nas cores e formas e nas palavras, o
desequilíbrio que poderá transformar vidas cansadas (porque a razão
cansa!) em alegres e singulares extravagâncias, longe do que está
regulamentado e enquadrado, mais próximo da liberdade de ver, gostar,
ouvir e expressar. E assim será porque, como atividade sequencial à
exposição, no dia 15 de setembro, acontecerá um sarau literário, que
versará sobre o tema exposto, acreditando que toda a loucura será
perdoada.
ELF Galeria
Passagem Bolonha, 60. Nazaré.
Abertura: 01 de setembro, de 11h às 14h
(somente para convidados)
Visitas de segunda a sexta-feira: Das 10h às 19h
e aos sábados de 10h às 16h
Dia 15 de setembro (sábado) das 11h às 14h
Coordenação: Luciana Brandão, Edney Martins,
Valéria Fagundes e Fernando Moraes
Informações: 91 3224-0854
www.elfgaleria.com.br
www.facebook.com/elfgaleria
(Fonte: Agenda Cultural)
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