PRETÉRITO IMPERFEITO
Flávya Mutran
Flavya Mutran apresenta fotografias produzidas a partir de álbuns de redes sociais
Exposição “PRETÉRITO IMPERFEITO DE TERRITÓRIOS MÓVEIS” abre no próximo dia 08/11
Diante da profusão de imagens em redes sociais, como Orkut, Facebook, Twitter, Youtube, e diante ainda de uma variedade de dispositivos que possibilitam a alteração dessas imagens, a fotógrafa Flavya Mutran iniciou experimentações a partir da apropriação de fotografias criadas por internautas e postadas em álbuns digitais. Para isso utilizou projeção em espelhos, vidros e paredes, em que a imagem original se dilui e se transforma em outra fotografia. Com curadoria de Vânia Leal, as obras serão mostradas na exposição “PRETÉRITO IMPERFEITO DE TERRITÓRIOS MÓVEIS”, que abre no próximo dia 08/11, terça-feira às 19h, no Banco da Amazônia, em Belém. A entrada é franca. A exposição foi contemplada pelo Edital de Patrocínio do referido banco.
São aproximadamente 60 obras em suportes e tamanhos variados que misturam imagens feitas com base nas diferentes maneiras de explorar fotograficamente o rosto ou até mesmo a ausência dele, em três séries distintas: EGOSHOT, BIOSHOT e THERE’S NO PLACE LIKE 127.0.0.1, elencadas de acordo com as formas do internauta se autorrepresentar na web. Para compô-las, a fotógrafa passou a selecionar imagens de ambientes virtuais de forma aleatória, mas que remetiam de alguma forma à maneira que ela mesma gosta de fotografar, pensando “se eu estivesse nesse lugar faria uma foto do mesmo jeito”, diz. As imagens também foram feitas com o mesmo procedimento: longas tomadas e velocidades muito baixas para fotografar.
Na série “EGOSHOT”, concebida a partir dos Daily Videos – espécie de animações audiovisuais feitas com autorretratos diários de internautas postadas geralmente no Youtube –, Flavya apresenta o rosto alheio a partir do seu ponto de vista, colocando frente a frente o seu proprio rosto diante do autorretrato de desconhecidos.. “Fiz fotos durante a exibição desses vídeos, que duram em média dois minutos, no máximo oito minutos. Daí eu fotografo essas exibições com longos tempos de exposição, a maioria determinada pelo tempo que dura o vídeo, por isso a imagem aparece borrada, sobreposta”, explica a fotógrafa. A escolha por autorretratos aconteceu no decorrer da pesquisa, já que não é difícil perceber que nos álbuns de redes sociais é o “eu” que ocupa o centro das atenções. O resultado das imagens desta série são retratos em preto e branco de grande formato de rostos de “célebres anônimos” que circulam na web.
Junto a cada foto há uma espécie de “atalho” para os vídeos que deram origem à série, no formato QR-CODE que armazena o link de cada imagem. Para vê-los será preciso estar conectado à internet através de algum dispositivo móvel ou celular com acesso 3G que tenha instalado o programa de leitura dos QR-CODEs, também disponíveis gratuitamente na internet em vários sites. Para saber mais acesse
http://territoriosmoveis.wordpress.com e saiba mais como e quais programas baixar para seu celular.
Já na série “BIOSHOT” são apresentadas fotografias distintas da própria autora encaixados em outros rostos, como uma composição autobiográfica. Flavya Mutran explica que essa série é relacionada ao retrato clássico de documento e às possibilidades de ficção, com imagens feitas através de dispositivos como o yearsbookyourself, ou similares para i-Phone que criam aquelas famosas moldurinhas de rosto em preto e branco. “Exponho o poder de ficcionalização histórica da fotografia. A série é composta de 52 autorretratos do meu rosto em espelhos que misturam sexos, raças e códigos visuais que vão de 1950 aos anos 2000”, diz.
Para finalizar, em “THERE’S NO PLACE LIKE 127.0.0.1”, Flavya aborda o corpo como lugar, como o verdadeiro território da mobilidade. “A frase que nomeia as imagens desta série representa muito da postura do internauta e sua relação com o lugar. É através do
localhost (127.0.0.1), ou IP local dos computadores, que o internauta estabelece uma espécie de lugar utópico, como um intervalo no tempo e no espaço, em que realidade e ficção são projeções invertidas de uma mesma imagem”, explica. A série é composta de fragmentos visuais desses ambientes, em imagens coloridas de grande formato, feitas a partir de projeções para além dos monitores RGB, em superfícies de espelhos, paredes, portas, escadas e páginas de livros.
A curadora Vânia Leal destaca que o constante interesse de Flavya Mutran pela pesquisa de imagens, sob a perspectiva fotográfica, fez com que a autora se aproximasse cada vez mais de temas em que a tecnologia não é o principal, mas o conceito por trás de práticas contemporâneas de utilização da imagem. “Embora as fotografias remetam à tecnologia, por estarem imbuídas por processos de alteração de fotografias em redes sociais, o que ela apreende são imagens como territórios moventes, que se dá com uma interferência social e denuncia um momento incontrolável de agoras”, analisa a curadora.
Durante a abertura da exposição será também lançado o catálogo – com distribuição gratuita – com as obras reunidas e textos informativos. Esse material é importante para o registro da pesquisa e da arte, além de ser ainda uma contribuição para a memória e circulação de informações sobre a produção artística regional. No dia 17/11, a partir das 19h, a artista realizará ainda um bate-papo em parceria com a curadora, também no Espaço Cultural Banco da Amazônia, para um relato de todas as fases de produção de “PRETÉRITO IMPERFEITO DE TERRITÓRIOS MÓVEIS”, desde a concepção até a realização das Mostras, em Porto Alegre e em Belém. A entrada será também é gratuita.
O projeto tem sido exposto e apresentado em outras capitais brasileiras desde 2009, data do inicio da pesquisa, que levou dois anos para ser concluída. Foi apresentada em encontros em Pelotas/RS,Cachoeira/BA, Rio de Janeiro/RJ, São Paulo/SP, Fortaleza/CE etc, e trazer a exposição para cá foi, aliás é uma honra e uma alegria enorme para mim. A primeira versão da Mostra foi apresentada em março/abril na galeria Xico Stockinger, MAC-RS, na Casa de Cultura Mario Quintana, e agora uma nova versão chega a Belém. Paralelo ao evento, em parceria com a Associação Fotoativa, acontecerá uma oficina sobre os procedimentos de trabalhos da pesquisa.
Espaço Cultural Banco da Amazônia
Av. Presidente Vargas, 800 – térreo,
Vernissage: 08 de novembro, às 18h
Visita: De 09/11 à 09/12
De segunda-feira à sexta-feira, das 9h às 17h
Mais informações: 55 91 4008-2869 / 4008-3193